quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Paula Rego no Palácio Anjos, em Algés



Ter a Dom, das 11h30 às 18h
bilhete 2€
Até 18 Jan
Assim que puder, passo por lá.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Hey Ya!

Hey Ya dos OutKast e do Charlie Brown

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Ui, ui... cuidado com o Arturo Ui!


Consegui ir ver o espectáculo da Truta e gostei bastante.
O Tónan Quito está como nunca o tinha visto... perigosissímo! Faz medo ao susto.
Ele vestiu a capa de gangster até ao fim... veio à plateia dar beijinhos e passoubens a torto e a direito a ver se conseguia mais votos a seu favor.
Como se a plateia não tivesse apanhado a pinta dele logo. Ele era um impostor, um fascista, um falso protector, um mafioso terrível e manipulador... fingia-se amigo quando era inimigo, dizia que protegia as pessoas do perigo e dos assassinos quando era ele quem assassinava maridos incómodos, testemunhas incómodas, colegas que lhe podiam fazer sombra ou ameaça ao seu reinado.
Pois foi... foi hilariante a peça. Muito viva. Muito bem representada. Com humor e detalhes estéticos e tecnológicos interessantes e originais.
Gosto da Truta.

Fui ver a Felicidade duas vezes e gosto muito deste grupo de actores.
São bons, inovadores, genuínos e frescos.
Gostei muito muito da interpretação do Tónan. Estava imparável e assustador.
Gostei também do Duarte Guimarães. Fez-me sentir revoltada com a traição do Ui.
Gostei muito dos detalhes de cenografia, da luz e da encenação. Parabéns, Joaquim Horta.
Gostei das meninas, Paula Diogo e Sílvia Filipe. A Sílvia foi uma descoberta para mim: não a conhecia ainda, canta lindamente e tem uma presença no palco poderosa e invejável.
Gostei muito.
Parabéns e obrigada, Tónan. Foste incrível, convincente, louco e intenso. Quanta fé a tua em dominar e vencer o mundo, hein? Pena é ser daquela maneira... de veres o mundo desfocado e destorcido e só teres olhos para ti e para a tua coroação e domínio. ;)


"O prólogo que Joaquim Horta lê à direita do palco não deixa espaço para enganos: Vai-se contar uma história de gangsters, “os mais famosos heróis entre os vigaristas”. A essa altura, já dez actores saíram de um Rolls-Royce e invadiram o palco de malas e bagagens, todos em fila a puxar trolleys pretos de onde vão tirar tudo o que precisam.
A Resistível Ascensão de Arturo Ui , que se estreia esta quinta na Culturgest, é uma história de gangsters passada em Chicago onde os bons são todos corruptíveis, mas é também uma história de ditadores passada na Alemanha.
Pelo menos, é-o lá por dentro, pelo contexto histórico em que surgiu. Bertold Brecht (1898-1956) escreveu a peça em 1941, durante a II Guerra Mundial (estava então exilado na Finlândia), e queria falar da ascensão de Hitler e do nazismo, acreditando que “a melhor forma de esmagar os grandes criminosos políticos é esmagá-los através do ridículo”. Escreveu uma paródia, e isso a Associação Cultural Truta, que fez esta encenação, não queria perder.
Os primeiros a entrar são, de facto, os homens de negócios, os donos do trust da couve-flor (!) que há-de dar azo à ascensão da máfia em Chicago e à “coroação” de Arturo Ui (Tónan Quito). À medida que a peça se vai desenrolando, os mesmos fatos que os fazem parecer yuppies implacáveis, são os fatos com que vestem as personagens de mafiosos. O charuto na mão dá lugar ao cigarro de tabaco de enrolar no canto da boca. E a conversa de trusts, falências e liquidações, dá lugar à conversa de protecção, gangs e metralhadoras.
São dez actores para o dobro das personagens (cinco da Truta, cinco convidados), e o ritmo não pára. Nunca ninguém sai de cena: todos os actores ficam sentados numa fila de cadeiras ao fundo, contra uma parede negra, e entram em acção quando é preciso.
De vez em quando ouve-se um arroto. Os tiros que são disparados pelas pistolas são balões vermelhos que rebentam à frente dos nossos olhos. Goebbels (aqui chamado Givola), é um vendedor de flores (Gonçalo Amorim). O inocente que vão julgar em tribunal é o boneco dourado de um cão. E tudo por causa do comércio das hortaliças.
"

in Time Out, Ana Dias Ferreira


Um espectáculo da Truta.
Título original Der aufhaltsame Aufstieg des Arturo Ui
Tradução José Maria Vieira Mendes
Direcção Joaquim HortaProdução Henrique Figueiredo, Patrícia Costa
Cenografia e figurinos Marta Carreiras
Desenho de luz Daniel Worm D’Assunção
Interpretação Carlos Alves, Duarte Guimarães, Gonçalo Amorim, Joaquim Horta, Paula Diogo, Pedro Martinez, Raul Oliveira, Rúben Tiago, Sílvia Filipe, Tónan Quito
Co-produção Truta / Culturgest

terça-feira, 7 de outubro de 2008

A Resistível Ascenção de Arturo Ui, da Truta


Reservei ontem. Não consegui cumprir as regras da reserva.
Liguei hoje. Tarde demais. Esgotou.
É assim.
Ser tuga é ser assim. Chegar sempre atrasado e só ir nos últimos dias.
Mas fico contente da peça estar esgotada hoje e amanhã.
Espero que consigam repor noutro sítio aqui por perto e que eu consiga ir.
Parabéns, Truta.

Vem aí o Doc Lisboa 2008: de 16 a 26 de Out'08.

Os bilhetes custam € 3,5 e já estão à venda nas bilheteiras da Culturgest, Cinema Londres, Cinema São Jorge, Museu do Oriente e Ticketline.
Eu vou tentar não perder!
Alguma sugestão de um documentário imperdível?

Afinal o comportamento da minha Júlia é típico e já dá para argumentos de animações...

video

domingo, 5 de outubro de 2008

Música Buraka Obama dos Contemporâneos

"De Homem para Homem", Teatro da Cornucópia

Ontem fui ver esta peça "De Homem para Homem" de Manfred Karge no Teatro da Cornucópia.

É um monólogo "poético, político", brutal, vivo, incrível, intenso, arrepiante, único, bestial, talentoso, inesquecível da brilhante e genial actriz Beatriz Batarda, encenado por Carlos Aladro.
Se existessem prémios tschan de teatro em Portugal, era Ella que ganhava.
Não tenho dúvidas. Ela é maravilhosa! É linda em palco.
Transforma-se convictamente em segundos, de mulher para homem, de homem para mulher, de criança para mulher ou para homem, de bêbado obrigada a beber schnaps na tasca para mulher frágil em fuga com medo que o seu disfarce e a falta de hábitos fisiológicos em copos a matem... é uma loucura o ritmo da representação (encarnação) de mil e uma personagens num só corpo e alma de actriz. Tudo isto sem parar e sem nunca o público conseguir duvidar de quem é agora que ali está.
Gostei da música do Pedro Moreira, da eficácia e pertinência do cenário de Manuel Aires Mateus que não nos distrai e tem tudo o que é preciso para a Beatriz Batarda ser o centro das atenções. A luz do Nuno Meira também estava bem, na hora e local certos.
Conta-nos a história de Ella, uma mulher que perde a sua identidade e que se dedica a sobreviver a qualquer preço. A peça, que tem o título original Jacke Wie Hose, é um conto poético e politico que passando por trinta anos da História da Alemanha nos conta a vida de Ella. Beatriz Batarda será Ella, uma mulher que não consegue arranjar emprego, e casa com um homem mais velho e doente, simplesmente para poder ter um tecto e o que comer. Quando Ella descobre que a ciática de que este se queixa é na verdade um cancro, decide juntar toda a informação e detalhes necessários para poder fazer-se passar pelo marido e assim não perder o precioso emprego. Max Gericke morre mas é Ella Gericke quem é “enterrada”. São vinte e seis quadros, ou retratos, que percorrem tempos de pobreza, guerra e reconstrução, e revelam a história de uma mulher que para viver teve de mentir, traficar, matar, diluindo-se na perda da sua identidade.

Termina hoje, 5 de Outubro no Teatro do Bairro Alto, em Lisboa.
Regressa ao Teatro S. João, no Porto, nos dias 19 e 20 de Dezembro.